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O grupo conta com campanha de financiamento coletivo para cobrir as despesas da viagem.
Por Camila Estephania
Criada há apenas quatro anos, a Orquestra Pernambucana de Clarinetes já dá passos de gente grande dentro do cenário da musica atual. Selecionado para participar do ClarinnetFest2018, o grupo embarca para a cidade de Ostand, na Bélgica, onde tocará entre os dias 6 e 11 de julho, quando acontecerá o festival internacional. O grupo formado por instrumentistas do curso de Licenciatura em Música do IFPE (Campus Belo Jardim) será um dos representantes do Brasil no evento, que também contará com uma apresentação da Orquestra Potiguar de Clarinetes.
A gente fica muito honrado de ter sido aprovado. Para o instrumento, esse festival é muito importante. O grupo já participou de outros encontros de porte bem menor e essa seleção agora é um avanço muito grande. Além da apresentação, tem a questão da formação também, porque lá vai ter workshops, palestra, debates, entre outras coisas que de certa forma transformam a carreira individual de cada um”, disse Angelo Lima, que integra o conjunto ao lado de mais outros nove componentes, todos de cidades diferentes de Pernambuco.
Para financiar os custos de viagem dos músicos, a Orquestra tem vendido rifas e camisas, além de contar com uma campanha de financiamento coletivo no site Vakinha (aqui). O grupo também tem feito mais concertos, como o que acontecerá no próximo dia 8 de junho, pela manhã no Centro de Artes e Comunicação da UFPE. O acesso é gratuito, mas o cachê da apresentação será reservado para as despesas de transporte e hospedagem na Bélgica.
Esses shows mais recentes já vêm deixando a pista do repertório que será levado para a Europa. “Têm músicas e arranjos inéditos, como a abertura, que foi composta pelo Maestro Nilson Lopes, especialmente para a gente. Também tem composições de Rafael Meira e outras consagradas como Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, e umas de Heitor Villa-Lobos, mas esses são os únicos autores que não são pernambucanos, o restante são músicas de compositores daqui de maracatu, baião, coco, caboclinho e especialmente frevo”, explica Angelo, ao lembrar que uma das últimas apresentações do grupo, no Paço do Frevo, prestou homenagem aos 100 anos do pernambucano Lourival Oliveira, que compôs frevos para o clarinete como solista.
Para adaptar os ritmos de base percussiva, como o baião, maracatu e coco, à sonoridade do instrumento de sopro, o músico adiantou que a Orquestra usará os clarinetes contra-baixo (clarone), alto e contra-alto, além do comum (soprano).  “O interessante do clarinete é que é um instrumento europeu que se adequou muito bem aos gêneros populares. Aqui em Pernambuco, ele esteve muito presente nas bandas de músicos, as chamadas sociedades de antigamente. No frevo, ele perdeu espaço para o saxofone no frevo de rua, mas você ainda se vê no frevo de bloco. A questão do ensino do instrumento no IFPE e na UFPE vem para fortalecê-lo”, observou Angelo, ao falar da inserção do instrumento na música nordestina.