21 de mai. de 2020

Estudo epidemiológico começa nesta sexta em Noronha

Pesquisadores de campo, com a colabora√ß√£o dos agentes comunit√°rios, dos agentes de endemia e de integrantes das equipes de sa√ļde de Fernando de Noronha, come√ßam nesta sexta-feira, 22, a primeira etapa do estudo epidemiol√≥gico que ser√° realizado para avaliar a circula√ß√£o do novo coronav√≠rus na ilha. 

Ser√£o convidados para participar da pesquisa 900 moradores, homens e mulheres, de diversas faixas et√°rias, de todas as regi√Ķes da ilha, selecionados de forma aleat√≥ria.  Os que aceitarem participar da pesquisa ser√£o acompanhados pela equipe por um ano, responder√£o a question√°rios e realizar√£o testes par a Covid-19. O estudo fornecer√° evid√™ncias para orientar a√ß√Ķes de vigil√Ęncia e controle da doen√ßa e tamb√©m ir√° apoiar a tomada de decis√£o da Administra√ß√£o na retomada das atividades sociais e econ√īmicas na ilha.

“Estamos fazendo um trabalho duro em Fernando de Noronha para o coronav√≠rus n√£o se propagar. As medidas restritivas que implementamos desde o in√≠cio da pandemia resultaram no sucesso que tivemos at√© agora. Mas n√£o podemos relaxar nem um pouco. Precisamos continuar com as atitudes de isolamento social, de higiene e de cuidado com o pr√≥ximo. O estudo epidemiol√≥gico √© mais uma arma na estrat√©gia de combate ao v√≠rus, para que possamos voltar √† normalidade que todos n√≥s queremos o quanto antes”, fala Guilherme Rocha, administrador de Noronha.  

O estudo, aprovado na Comiss√£o Nacional de √Čtica em Pesquisa (Conep), vai ser distribu√≠do em cinco fases. A primeira fase vai durar at√© primeira semana de junho. Depois continua em 30 e 60 dias. Ap√≥s esse per√≠odo, os acompanhamentos ser√£o mais espa√ßados, feitos com 180 dias e 360 dias. Nestes cinco momentos os pesquisadores estar√£o em Noronha, auxiliando na realiza√ß√£o dos exames e question√°rios, e conversando com os moradores. O material coletado ser√° enviado para o laborat√≥rio no Recife em at√© 72 horas. 

Ao longo da primeira etapa do estudo ser√£o testadas 900 pessoas. A equipe da pesquisa ir√° at√© os moradores nas resid√™ncias para perguntar se eles querem participar do estudo. Segundo Regina, o estudo epidemiol√≥gico vai mostrar a real situa√ß√£o da propaga√ß√£o do v√≠rus na comunidade, inclusive se ocorre a circula√ß√£o silenciosa do coronav√≠rus na ilha. Para participar as pessoas sorteadas precisam dar o seu consentimento, autorizando a realiza√ß√£o do question√°rio e a realiza√ß√£o de exames peri√≥dicos para a detec√ß√£o da Covid-19. Dessa forma, ser√° poss√≠vel compreender como essa nova doen√ßa est√° interferindo na vida da popula√ß√£o. 

“A colabora√ß√£o da popula√ß√£o vai nos ajudar a conhecer melhor a circula√ß√£o da doen√ßa na ilha e guiar as a√ß√Ķes de reabertura do com√©rcio e outras a√ß√Ķes que o administrador precisar tomar daqui para frente, a partir das informa√ß√Ķes sobre a incid√™ncia e preval√™ncia da doen√ßa. Saberemos quem vai ter a doen√ßa ao longo desse tempo, quais os sintomas principais de quem est√° doente na ilha etc. Teremos v√°rias respostas a partir do estudo, conheceremos melhor como a Covid se comporta aqui na ilha de Fernando de Noronha”, comenta Regina Brizolara, tecnologista na √°rea de doen√ßas transmiss√≠veis, especialista da Secretaria Estadual de Sa√ļde. Ela refor√ßa que √© importante continuar fazendo o distanciamento social, tomar as medidas de higiene para se prevenir a doen√ßa e continuar usando m√°scaras nas ruas para ilha seguir livre da doen√ßa. 

Mozart Sales, especialista da Secretaria Estadual de Sa√ļde, que est√° coordenando o estudo na ilha, diz que a aprova√ß√£o da Conep, comiss√£o ligada ao Conselho Nacional de Sa√ļde do Minist√©rio da Sa√ļde, refor√ßa a import√Ęncia e a vantagem do estudo para a popula√ß√£o de Fernando de Noronha, um fator de prote√ß√£o para a popula√ß√£o. Salientou que a pesquisa respeita os princ√≠pios da bio√©tica para a realiza√ß√£o de pesquisas em seres humanos, e que estudos semelhantes est√£o sendo realizados em v√°rios pa√≠ses desenvolvidos do mundo, como a Inglaterra. 

“A popula√ß√£o de Noronha pode ficar tranquila, porque todas as quest√Ķes necess√°rias para uma pesquisa desse porte em seres humanos foram automaticamente garantidas, para aprova√ß√£o da Comiss√£o Nacional de √Čtica em Pesquisa. E n√≥s vamos seguir diretamente o que est√° estabelecido”. 

Ser√° ofertado dois tipos de exames, um realizado com o swab, uma esp√©cie de cotonete que √© inserido no nariz e na garganta para coletar secre√ß√Ķes respirat√≥rias, e que identifica a doen√ßa na sua forma aguda, nas pessoas que podem ter contra√≠do a doen√ßa h√° pouco tempo. E tamb√©m outro exame, realizado a partir da coleta de sangue, para identificar se a pessoa j√° teve a doen√ßa e desenvolveu anticorpos. “√Č uma pesquisa completa, de maior amplitude em rela√ß√£o ao que est√° sendo realizado em outros estudos no territ√≥rio brasileiro”, comenta Mozart Sales. 

Odorico Monteiro, m√©dico da Funda√ß√£o Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Cear√°, que faz parte da equipe do estudo no arquip√©lago, elogia as a√ß√Ķes de Noronha no combate √† doen√ßa. 

“Fernando de Noronha hoje representa para o Brasil duas ilhas. A ilha real, oce√Ęnica, de muita beleza. Mas tamb√©m uma ilha de sucesso. Digo isso quando analisamos os 28 casos confirmados, seguido dos mesmos 28 recuperados, zero √≥bitos e nenhum em investiga√ß√£o. A capacidade de propaga√ß√£o do v√≠rus precisa ser estudada. Por isso a import√Ęncia da pesquisa em Fernando de Noronha. N√≥s temos que nos apoiar na ci√™ncia, porque atrav√©s das pesquisas podemos registrar o que chamamos da preval√™ncia do v√≠rus na ilha e a capacidade de propaga√ß√£o”.