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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Recife recebe instalação/espetáculo Grande Sertão: Veredas em única apresentação

maio 25, 2018 0
Recife recebe instalação/espetáculo Grande Sertão: Veredas em única apresentação

Bia Lessa volta à obra-prima de Guimarães Rosa, após 10 anos, conduzindo o público por entre as veredas recriadas no Teatro Guararapes.

Foto: Divulgação

Contar é muito, muito dificultoso”
Carece de ter coragem...”


Como transpor ao palco uma leitura da maior obra literária brasileira do século XX? Mais que uma pergunta, esta foi a missão da diretora teatral Bia Lessa ao decidir coisificar os universos contidos em Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, e as inúmeras possibilidades de análise do romance. A resposta será apresentada ao público de Recife, no próximo dia 02 de Junho de 2018, no Teatro Guararapes. O espetáculo, vencedor do Prêmio APCA 2017 na categoria Melhor Direção (Bia Lessa), do Prêmio Shell nas categorias Melhor Direção (Bia Lessa) e Melhor Ator (Caio Blat) e do Prêmio Bravo! 2018 na categoria Melhor Espetáculo de Teatro (Grande Sertão: Veredas), chega a Recife após temporada de casa lotada, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

No elenco estão Caio Blat, Luíza Lemmertz, Luísa Arraes, Leonardo Miggiorin, José Maria Rodrigues, Balbino de Paula, Daniel Passi, Elias de Castro, Lucas Oranmian e Clara Lessa. Para dar vida ao mítico sertão, Bia reuniu nomes como Egberto Gismonti (música), Camila Toledo (concepção espacial, com a colaboração de Paulo Mendes da Rocha), Sylvie Leblanc (figurino) e Fernando Mello da Costa (adereços).

Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância.”

Bia conhece profundamente o Sertão de Guimarães Rosa. Ela levou o público para dentro da obra na inauguração do Museu da Língua Portuguesa (SP), em 2006. A exposição foi aclamada por onde passou. Agora, ela convida a plateia a um mergulho fundo na epopeia narrada pelo jagunço Riobaldo (Caio Blat), que atravessa o sertão para combater seu maior inimigo, Hermógenes,Leon Góes, fazer um pacto com o diabo e descobrir seu amor por Diadorim (Luíza Lemmertz).Trata-se de uma instalação, visitada e experimentada pelo público durante o dia no Teatro Guararapes, e o espetáculo, encenado na mesma estrutura, em 2 horas e 20 minutos de encenação ininterruptas, com o elenco em cena permanentemente, em que o público experimenta a dissolução das fronteiras entre início e fim do espetáculo; entre teatro, cinema e artes plásticas; entre literatura e encenação.

O teatro para mim é sagrado. Me dedico a ele de tempos em tempos, não me sinto com capacidade de realizar espetáculos um após o outro. Me deparei com o Grande Sertão e ele se apoderou de mim mais uma vez. Quando montei a exposição, algumas questões se apresentavam: a principal delas era como utilizar imagens sem que o significado do Sertão de Guimarães ficasse reduzido a um único lugar. A opção na época foi trabalhar apenas com palavras. No teatro, essa questão volta a se impor: 'o sertão está dentro da gente'. Nosso caminho foi realizar um trabalho onde homens, animais e vegetais estabelecessem uma relação de diálogo sem supremacia entre eles. Não estamos exatamente no sertão, mas em um espaço “ecológico” e metafísico onde tudo cabe. Um espaço, uma imagem, que nos possibilita a experiência proposta pelo romance, sem obviamente realizar o romance tal como é – fidelidade absoluta (todas as palavras ditas são de Guimarães Rosa), mas liberdade infinita, visto que é apenas uma das leituras possíveis da riquíssima obra de Guimarães. Escolhemos não utilizar grandes efeitos ou recursos, a não ser a valorização do universo sonoro dos espaços propostos pelo romance, apenas os próprios atores”, pontua a diretora.

O sertão está em toda parte”

A grande estrutura tubular concebida lembra um claustro, uma gaiola. Instalada na rotunda no Teatro Guararapes,também é, ao mesmo tempo, cenário de violentas batalhas e de reflexões profundas. Como instalação, poderá ser visitada durante o dia. 250 bonecos de feltro com tamanho humano, criados pelo aderecista Fernando Mello da Costa, compõem uma imagem permanente: a cena da morte de Diadorim como um presépio. A trilha sonora completa a atmosfera do Grande Sertão: Veredas, composta por três camadas: os ruídos e sons ambientes, a música composta por Egberto Gismonti e a trilha sonora que representa nossa memória emotiva, com músicas que fazem parte de nosso imaginário. Os figurinos são uma leitura do sertão, sem regionalizá-lo – são personagens do mundo.

Em um trabalho tão artesanal, marca da diretora (que passou mais de 600 horas com o elenco, em ensaios diários por 92 dias), e de grande esforço físico (a preparação corporal foi um dos aspectos indissociáveis do trabalho de direção, com aulas de corpo por Amalia Lima diariamente durante os 4 meses de ensaio), a tecnologia foi fundamental para guiar o público em tantas veredas. Fones de ouvido permitirão escutar separadamente a trilha sonora, as vozes dos atores, os efeitos sonoros e sons ambientes, levando-o a um nível inédito de interação com a dimensão sonora do espetáculo.


Essas são as horas da gente. As outras, de todo tempo, são as horas de todos


SINOPSE

Em montagem inédita no Teatro Guararapes, Bia Lessa propõe a um só tempo uma peça de teatro e uma instalação em sua adaptação do livro Grande Sertão: Veredas – matriz do moderno romance brasileiro e obra-prima de João Guimarães Rosa. A peça traz para o palco a saga do jagunço Ribaldo que atravessa o sertão para combater seu maior inimigo, Hermógenes, fazer o pacto com o diabo e viver seu amor por Diadorim. O cenário-instalação estará aberto à visitação do público.

BIA LESSA

Bia Lessa é uma artista multifacetada, cineasta, diretora de teatro e ópera, exposições, ganhadora de vários prêmios. Suas obras são exibidas em vários países, como Alemanha, França e EUA. Criadora do Pavilhão Brasileiro na Expo 2000 em Hannover, Mostra Redescobrimento na Bienal SP, Reabertura do Theatro Municipal do Rio de Janeiro com a ópera Il Trovattore, Pavilhão Humanidades 2012 (Rio + 20), reinauguração dos painéis Guerra e Paz de Candido Portinari na ONU em NY. No cinema, dirigiu os filmes CREDE-MI mostrado em festivais internacionais (Berlim, Biarritz, Nova Iorque, Jerusalem, Brisbane, Minsk, entre outros).


POR SILVIANO SANTIAGO

Para Bia Lessa, só o espetáculo teatral pode expandir a forma inovadora da literatura. Ela não adaptou duas obras clássicas do romance ocidental; levou ao palco os romances Orlando, de Virginia Woolf, e O homem sem qualidades, de Robert Musil, expandindo-os. E agora, quando a nação perde o norte da cidadania e esfarela a vontade dos brasileiros, Bia monta uma escultura na área de convivência do Sesc Consolação. No seu interior, encena o monstruoso e genial Grande sertão: Veredas, do nosso Guimarães Rosa.

Durante o dia, a escultura do Grande sertão: Veredas repousa como se fosse livro fechado, a espicaçar a curiosidade dos visitantes. À noite, a escultura expande o livro aberto. O leitor silencioso e introspectivo se metamorfoseia em espectador, parcela de um coletivo atento e participante, que se renova.

A gongórica e letal escrita de Rosa ganha o corpo dos atores. Empresta-lhes ação e fala. E a trama romanesca se desenvolve diabolicamente, com movimentos desordenados, afetuosos e anárquicos, qual máquina escultural assinada por Jean Tinguely, um dos fundadores do Novo Realismo. Novo Realismo igual a − diz o famoso manifesto − novas percepções do Real.

Grande Sertão: Veredas se expande como espetáculo teatral que libera – qual alegoria rigorosa da nossa contemporaneidade − o modo como os movimentos desenvolvimentistas sem preocupação social e humana não recobrem a nação como um todo. Pelo contrário. O esforço positivo da modernização é localizado, centrado e privilegia. Nas margens, cria enclaves de párias – bairros miseráveis, favelas, prisões, manicômios, etc. − onde violentas forças antagônicas se defrontam e se afirmam pela ferocidade da sobrevivência a qualquer custo, acirrando a irascibilidade do controle e do mando. Viver é perigoso.

Extraordinário em Guimarães Rosa é que, no mais profundo da vida humana miserável e autodestrutiva, na morte, há lugar para o afeto e o amor. Ao compasso de espera, Riobaldo e Diadorim dançam novos e felizes tempos. Piscam a alegria de viver, como vagalumes que a mata libera à noite.
                                                                                             
Silviano Santiago

FICHA TÉCNICA
Concepção, Direção Geral, Adaptação e Desenho de Luz – Bia Lessa

Elenco – Balbino de Paula, Caio Blat, Daniel Passi, Elias de Castro, José Maria Rodrigues, Leonardo Miggiorin, Lucas Oranmian, Luisa Arraes, Luiza Lemmertz, Clara Lessa.

Concepção Espacial – Camila Toledo, com colaboração de Paulo Mendes da Rocha
sica Egberto Gismonti
Colaboração – Dany Roland
Desenho de Som – Fernando Henna e Daniel Turini
Adereços Fernando Mello Da Costa
Figurino Sylvie Leblanc
Desenho de Luz – Binho Schaefer
Projeto de Audio – Marcio Pilot
Diretor Assistente: Bruno Siniscalchi
Assistente de Direção: Amália Lima
Direção Executiva: Maria Duarte
Produtor Executivo: Arlindo Hartz
Colaboração – Flora Sussekind, Marília Rothier, Silviano Santiago, Ana Luiza Martins Costa, Roberto Machado
Idealização e Realização: 2+3 Produções Artísticas Ltda
Apoio Institucional : Banco do Brasil | Globosat
Apoio: BMA Advogados | Instituto-E | Om Art

Agradecimento especial à viúva do Autor, a quem a obra foi dedicada, Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, à Nonada Cultural e a Tess Advogados.
© Nonada Cultural Ltda.




SERVIÇO

GRANDE SERTÃO: VEREDAS
DATA: 02 de Junho de 2018.
LOCAL: Teatro Guararapes
Informações: (81)3182-8020

Duração: 140 minutos
Classificação: 18 anos

Ingressos: vendas a partir de 2 de maio de 2018.
PALCO
200 ingressos por ordem de chegada R$200,00(com serviço de headphone, sem necessidade de meia entrada)
Platéia-  AA até BB  R$160, (inteira) e R$R$80, (meia entrada)
Platéia BC em diante R$140,(inteira e R$70, (meia entrada)
Balcão R$100, (inteira) e R$50, (meia entrada)

Ingressos à venda pelo site www.eventim.com.br


Regras:
Regras de meia-entrada: estudantes, idosos, menores de 21 anos, pessoas com deficiência, professores e profissionais da rede pública municipal de ensino.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Elvis Presley recebe tributo no Manhattan

maio 24, 2018 0
Elvis Presley recebe tributo no Manhattan
Público terá oportunidade de curtir duas noites de homenagens ao Rei do Rock com Di Light

Divulgação

O Manhattan Café Theatro realiza duas noites, na próxima sexta-feira (25) e sábado (2​6), a partir das 21h,  um tributo ao Rei do Rock com Di Light, primeiro representante do continente a vencer competições no Brasil e fora dele chanceladas pela Elvis Presley Enterprises, detentora dos direitos oficiais de tudo o que se refere à carreira de Elvis Presley. A abertura fica por conta dos Garçons Cantores.

Di Light caracteriza-se de Rei do Rock há mais de 10 anos e soma diversos prêmios de reconhecimento pelo mundo. O artista, que entra nos palcos com réplicas dos trajes típicos e de joias que caracterizavam o vestuário de Elvis, promete proporcionar ao público a chance de reviver vários sucessos como se o astro ainda estivesse fisicamente entre nós. No repertório, sucessos como “Always on My Mind” e “Suspicious Minds”.
Fã do Elvis desde criança, quando o seu pai ouvia os discos do Rei, Di Light é hoje um dos mais populares artista-tributo. Ele realiza apresentações em homenagem ao Rei do Rock em diversos países, chamando atenção do mundo do entretenimento desde 2013, quando venceu a primeira competição endossada pela Elvis Presley Enterprises, na América Latina, representando o continente no Ultimate Elvis Tribute Artist Competition, em Memphis, Tennessee, ficando no Top 5.
Ele segue vencendo diversas competições nos EUA e Canadá, como em Myrtle Beach, Carolina do Sul, Tupelo, Mississippi (cidade natal de Elvis), Georgia Elvis Festival em Brunswick, Ocean City Elvis Festival, Maryland, Niagara Falls Elvis Festival no Canadá, Texas Elvis Festival, sagrando-se campeão Mundial em Memphis, TN nos EUA do Images of The King of The World em 2017, além de ser campeão do Texas Tribute To Elvis Festival  e do Niagara Fall Elvis Festival. Já este ano, o artista-tributo foi Campeão de Nashville Elvis Festival. 
Intimista, o Manhattan Café Teatro fica na Rua Francisco da Cunha, 881, Boa Viagem.  O couvert artístico custa R$ 100.
SERVIÇO
Elvis Presley by Di Light no Manhattan. Quando:sexta e sábado (25 e 26 de maio)
Onde: Manhattan Café Theatro
Couvert: R$ 100

Clube das Pás recebe show da Banda Conexão, nesta sexta-feira (25)

maio 24, 2018 0
Clube das Pás recebe show da Banda Conexão, nesta sexta-feira (25)
Ainda sobem ao palco a Banda Raízes do Brega e a Orquestra das Pás


Nesta sexta-feira (25), o Clube das Pás recebe shows das Bandas Conexão e Banda Raízes do Brega, além da Orquestra das Pás, que abre a casa a partir das 17h.
Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada), disponíveis na bilheteria do local. O Clube Carnavalesco Misto das Pás fica na Rua Odorico Mendes, nº 263 - Campo Grande, Recife. Mais informações pelo telefone (81) 3242-7522.
SERVIÇO:
Banda Conexão, Banda Raízes do Brega e a Orquestra das Pás
Local: Clube das Pás, na Rua Odorico Mendes, n° 263 - Campo Grande, Recife
Sexta-feira (25) | 17h
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Informações: (81) 3242-7522

Coco dos Pretos comemora 12 anos de criação neste final de semana

maio 24, 2018 0
Coco dos Pretos comemora 12 anos de criação neste final de semana

Para comemorar seus 12 anos de criação, o Coco dos Pretos comanda um fim de semana repleto de atividades no Centro Cultural Cambinda Estrela. No sábado, o local receberá oficinas voltadas para a música negra e, no domingo, será montado um palco para shows da banda aniversariante e outros grupos convidados. A proposta é fortalecer a produção artística da comunidade de Chão de Estrelas, no Recife, onde fica o espaço.
Chão de Estrelas é um lugar muito carente de atividades culturais, por isso, vimos nessa festividade uma oportunidade de convidar as pessoas para conhecerem a nossa comunidade”, explica Adriano Santos, que é fundador e vocalista do Coco dos Pretos. Ao lado de Maria Luna, o músico, que também integra o Maracatu Cambinda Estrela, comandará a oficina de maracatu. Ilke Barbosa e Madson Veridiano, membros do Coco dos Pretos, irão ministrar a oficina de coco. Já a oficina de dança afro ficará sob responsabilidade de Ana Paula Guedes, conhecido pelo seu trabalho como cantora no grupo Voz Nagô.
Quem não for associado ao Centro Cultural, também poderá participar das aulas, que acontecerão neste sábado, mediante a contribuição de R$25. Já no domingo, a programação de shows será gratuita e contará com apresentações de grupos, como o Bongar e Afoxé Omô Nilê Ogunjá, que acompanham o Coco dos Pretos há muitos anos. “Infelizmente, não conseguimos reunir todo mundo que ajuda nosso trabalho, mas conseguimos trazer vários amigos. Então vai ser um dia especial, cheio de emoções. São 12 anos de luta e resistência. A gente já existe, agora a gente tem que resistir para ir além dos ciclos”, diz Adriano, ao explicar que o grupo pode ser considerado parte do Cambinda Estrela.
Além da festa, as comemorações também incluem a gravação do segundo disco da banda, intitulado “Rei do Sertão”, que deve ser lançado em novembro deste ano. “Vamos fazer uma alusão a Luiz Gonzaga e a Lampião, porque uma das músicas vai falar sobre a trajetória desses dois personagens que receberam o título de rei (em suas respectivas áreas de atuação). O disco também terá uma mistura de vários estilos de coco, como o coco trupé e o coco rabecado”, adiantou ele, que ao lado do Coco dos Pretos também já lançou o disco “Canto Branco, Canto Preto”, em 2010.
PROGRAMAÇÃO:
Local: Sede do Maracatu Nação Cambinda Estrela (Rua Dr. Elias Gomes, 420, Campina do Barreto. Recife-PE. Próximo ao terminal de ônibus de Chão de Estrelas)
DIA 26
Oficinas de maracatu, coco e dança afro
DIA 27
Shows:
16h00 – Maracatu Nação Cambinda Estrela
16h30 – Ciranda Sant’Anna
17h25 – Afoxé Omolu Pá Kèrú Awô
18h20 – Afoxé Omô Nilê Ogunjá
19h15 – Bojo da Macaiba
20h10 – Bongar
21h00 – Coco dos Pretos (part. Mestra Ana Lúcia e Reizinho)
21h50 – Grupo Cadência (part. Gabi do Carmo)

Por Portal Cultura PE

quarta-feira, 23 de maio de 2018

RECIFE RECEBE A VISITA DA VELHA SENHORA

maio 23, 2018 0
RECIFE RECEBE A VISITA DA VELHA SENHORA

O texto do suíço Friedrich Dürrenmatt apresenta um olhar irônico sobre a fragilidade dos nossos valores morais, da justiça e da esperança. Depois de temporada em São Paulo e no Rio de Janeiro, o espetáculo está em turnê pelo Brasil e fica em cartaz no Recife, de 24 a 27 de maio, no Teatro de Santa Isabel

“Encenar a Visita depois de A Alma Boa e Galileu é quase como finalizar uma trilogia”, diz Denise Fraga.  “A trilogia de nosso eterno dilema entre a ética e o ganha pão.”

Em A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, espetáculo visto por mais de 220 mil pessoas, entre os anos de 2008 e 2010, a personagem principal perguntava: “Como posso ser boa se eu tenho que pagar o aluguel? Como posso ser bom e sobreviver no mundo competitivo em que vivemos?” Em Galileu Galilei, também de Brecht, espetáculo que esteve um ano e oito meses em cartaz e foi visto por mais de 140 mil pessoas, o tema é revisitado: Como posso ser fiel ao que penso sem sucumbir ao poder econômico e político vigente? Como manter meus ideais comprando meu vinho bom?

Agora chega A Visita da Velha Senhora, com 13 atores em cena, em que Friedrich Dürrenmatt expõe a fragilidade de nossos valores morais e de nossa noção de justiça quando a palavra é dinheiro. A protagonista da peça é quase a encarnação mítica do poder material, a milionária Claire Zachanassian, vivida por Denise Fraga, que com seu bilhão põe em xeque a cidade de Güllen.

O espetáculo é uma produção original do SESI São Paulo, cumpriu temporada em São Paulo e Rio de Janeiro. Está em Turnê pelo Brasil e no Recife, “A Visita da Velha Senhora” estará em cartaz nos dias 24, 25, 26 e 27 de maio, no Teatro de Santa Isabel. Com patrocínio do Bradesco, parceiro e patrocinador de “Alma Boa de Setsuan” e “Galileu Galilei”, e realizado em Fortaleza através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, pela NIA Teatro, Ministério da Cultura e Governo Federal.

A direção é do cineasta Luiz Villaça, que depois do sucesso de Sem Pensar, de Anya Reiss, e A Descida do Monte Morgan, de Arthur Miller, retorna mais uma vez ao teatro. A montagem tem a sofisticação de contar com cenários e figurinos do mineiro Ronaldo Fraga, que foi o vencedor da 30ª edição do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo. A batuta do maestro Dimi Kireeff, na direção musical, o desenho de luz de Nadja Naira, da companhia brasileira de teatro, Lucia Gayotto na preparação vocal, Keila Bueno nas coreografias e preparação Corporal e Simone Batata, no visagismo.

A Visita da Velha Senhora teve nominações ao Prêmio Shell nas categorias Melhor Atriz (Denise Fraga) e Melhor Figurino (Ronaldo Fraga) e ao Prêmio Aplauso Brasil nas categorias Melhor Atriz (Denise Fraga), Melhor Direção (Luiz Villaça), Melhor Arquitetura Cênica (Ronaldo Fraga) e Melhor Espetáculo Independente.

O enredo é aparentemente simples. Os cidadãos de Güllen, uma cidade arruinada, esperam ansiosos a chegada da milionária que prometeu salvá-los da falência. No jantar de boas-vindas, Claire Zachanassian impõe a condição: doará um bilhão à cidade se alguém matar Alfred Krank, o homem por quem foi apaixonada na juventude e que a abandonou grávida por um casamento de interesse. Ouve-se um clamor de indignação e todos rejeitam a absurda proposta.  Claire, então, decide esperar, hospedando-se com seu séquito no hotel da cidade.

A partir dessa premissa, o suíço Friedrich Dürrenmatt nos premia com uma obra-prima da dramaturgia, construindo uma rede de cenas que se entrelaçam, cheias de humor e ironia, um desfile de personagens humanos e reconhecíveis que pouco a pouco, vão escancarando a nossa fragilidade diante do grande regente de nossas vidas: o dinheiro. Quem mata Krank?  Cairá Güllen na tentação de satisfazer o desejo de vingança da milionária?  Ou fará justiça?  O que é fazer justiça?  Até que ponto a linha ética se molda ao poder dinheiro?

Dürrenmatt caracteriza A Visita da Velha Senhora como uma comédia trágica e com seu humor cáustico nos pergunta: Até onde nos vendemos para poder comprar? Como o poder e o dinheiro vão descaracterizando os nossos ideais?   Por outro lado, quanto nos custa a não submissão?  O texto se desenrola abrindo ainda outros ramos de reflexão. Dürrenmatt era completamente obcecado pela questão da justiça e as sutilezas de suas fronteiras. O que é justo? O que significa justiça em nossos tempos? Até que ponto o valor moral da justiça se adequa ao poder?  Reconhecível no Brasil nos dias de hoje? A Visita da Velha Senhora expõe questões que sempre estiveram em pauta na história da humanidade, mas que caem como uma luva em nossos tão tristes tempos.

“Acredito no poder de transformação pela arte. Na formação do indivíduo pela arte. O teatro como espelho do mundo, nos fazendo rir para nos reconhecer, dando voz a nossa angústia, dando palavras àquilo que pensamos e não sabemos dizer. O humor e a poesia nos ajudando a elaborar o pensamento para agir, para transformar, para viver criativamente, para por a mão da massa da nossa história”, afirma Denise Fraga. “Depois de dois anos e meio de A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, e um ano e meio de Galileu Galilei, do mesmo gênio alemão, sou mais uma vez surpreendida pela potente atualidade de um clássico. Não foi por acaso que cheguei a Dürrenmatt. Foi discípulo, bebeu em Brecht.  Lá está o mesmo fino humor, a mesma ironia e teatralidade. Dürrenmatt também se faz valer do entretenimento para arrebatar o público para a reflexão”.

É natural finalizar tal “trilogia” com a obra máxima de Dürrenmatt. Como Brecht, Dürrenmatt é mestre em dissecar as relações de poder e os conflitos morais em suas obras, em questionar o papel do herói e a sua necessidade para uma sociedade justa, em fazer uso do humor para gerar reflexão. Nas três peças: Alma Boa, Galileu Galilei e A Visita da Velha Senhora, tudo isso está explícito. A diferença é que Brecht prefere desconstruir as ilusões de que nos alimentamos e propor uma possível transformação, enquanto Dürrenmatt as mantém vivas e ri delas por serem apenas isso: ilusões, enganos pelos quais lutamos e sempre lutaremos.


Por Denise Fraga



Amo a comédia porque confio no humor e na ironia como um poderoso agente para a reflexão. Só se ri daquilo que se entende. O humor chama o pensamento e, com isso, dá eficácia e prazer à comunicação de uma ideia.  É incrível como muitos dos autores tidos como clássicos confiavam nisso, mas estão com a risada do público presa na poeira de suas linhas. É preciso sacudi-las, dar uma escovada, deixá-las voar.

Brecht dizia: divertir para comunicar. Me identifico com isso. Divertir o público e mandá-lo para casa em estado de reflexão é o que tem me garantido a sensação de plenitude com o meu ofício. O sucesso de ALMA BOA e GALILEU me confirmaram a popularidade de Brecht. Mais da metade de nosso público talvez nunca tivesse ouvido falar dele, mas nem por isso deixaram de ser completamente capturados por sua genialidade.

Esta necessidade de propagar aquilo que me tocou o coração, dar-lhe comunicação e clareza para ver mover no outro o que moveu em mim, se tornou mesmo a grande força motriz de meu trabalho. Tem dado certo. E a cada espetáculo, renovo minha esperança de continuar fazendo o Teatro em que acredito.


Ficha Técnica:
Autor: Friedrich Dürrenmatt
Stage rights by Diogenes Verlag AG Zürich
Tradução: Christine Röhrig
Adaptação: Christine Röhrig, Denise Fraga e Maristela Chelala
Direção Geral: Luiz Villaça
Direção de Produção: José Maria
Elenco: Denise Fraga, Tuca Andrada, Fábio Herford, Romis Ferreira, Eduardo Estrela,
Maristela Chelala, Renato Caldas, Beto Matos, David Taiyu, Luiz Ramalho, Fernando Neves,
Fábio Nassar e Rafael Faustino
Direção de Arte: Ronaldo Fraga
Direção Musical: Dimi Kireeff
Trilha Sonora Original: Dimi Kireeff e Rafael Faustino
Desenho de Luz: Nadja Naira
Produção Executiva: Marita Prado
Preparação Corporal e Coreografias: Keila Bueno
Direção Vocal: Lucia Gayotto
Preparação Vocal: Andrea Drigo
Visagismo: Simone Batata
Assistente de Direção: André Dib
Assistente de Produção: Musical Nara Guimarães
Engenheiro de Mixagem: Fernando Gressler
Camareira: Cristiane Ferreira
Assistente de Iluminação e Operador de Luz: Robson Lima
Operador de Som: Janice Rodrigues
Cenotécnicos: Jeferson Batista de Santana, Edmilson Ferreira da Silva
Assessoria Financeira: Cristiane Souza
Fotografia: Cacá Bernardes
Making Off: Pedro Villaça e Flávio Torres
Redes Sociais: Nino Villaça
Programação visual: Gustavo Xella
Assessoria de Imprensa BH: Personal Press
Projeto realizado através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
 Produção Original: SESI São Paulo
 Patrocínio Exclusivo: Bradesco
 Realização: NIA Teatro, Ministério da Cultura e Governo Federal


SERVIÇO
A Visita da Velha Senhora
Com Denise Fraga, Tuca Andrada, Fábio Herford, Romis Ferreira,
Maristela Chelala, Renato Caldas, Eduardo Estrela, Beto Matos, Luiz Ramalho,
Rafael Faustino, David Taiyu, Fábio Nassar e Fernando Neves

Dias 24, 25, 26 e 27 de maio
Quinta a sábado, às 20h; Domingo, às 18h
Teatro de Santa Isabel
Praça da República
Classificação: 14 anos
Duração: 120 min
Gênero: Comédia Trágica

Ingressos (valores da inteira):
Platéia R$ 70,00; Terceiro Piso: R$ 50,00
www.eventim.com.br
Info: 81 3355.3323 / 3355.3324

MinC inicia capacitação para inscrições ao Prêmio Culturas Populares em Pernambuco

maio 23, 2018 0
MinC inicia capacitação para inscrições ao Prêmio Culturas Populares em Pernambuco

Pernambuco recebe, esta semana, oficinas gratuitas do Ministério da Cultura (MinC) para auxiliar os interessados em participar da 6ª edição do Edital Culturas Populares. No Recife e em Bezerros, a oficina será realizada nesta próxima quinta-feira (24). Já em Caruaru, a oficina será na sexta-feira (25).
Na edição 2018 do Edital, cada um dos premiados receberá R$ 20 mil, o dobro de 2017. As inscrições podem ser feitas até 13 de junho, pela internet, através d sistema Salic, ou via postal.

Católicos lançam Pastoral Ambiental no Grande Recife inspirados no papa Francisco

maio 23, 2018 0
Católicos lançam Pastoral Ambiental no Grande Recife inspirados no papa Francisco
Nova pastoral da Arquidiocese de Olinda e Recife surge em um contexto  de crescente problemática ambiental e necessária reação da sociedade 



Nesta quinta-feira (24), inspirado nas palavras do Papa Francisco escritas na encíclica Laudato Si (Louvado Seja), documento dirigido em 2015 aos bispos de todo o mundo e aos fies da Igreja Católica, sendo a primeira de sua história com o enfoque ecológico, um grupo de fies no Grande Recife decidiram, com o aval da Comissão Arquidiocesana de Pastoral para a Caridade, Justiça e Paz, oficializar para a sociedade a mais nova pastoral social da Arquidiocese de Olinda e Recife (AOR). A cerimônia de apresentação da Pastoral Ambiental (PA) será realizada ás 19h na Universidade Católica de PE, com apoio do Instituto Humanitas, no auditório Dom Helder Câmara, 1ª andar do bloco A. Lá, membros da Academia, Governo Estadual, Movimento Popular, Igreja Católica e de outras religiões participarão de uma mesa de abertura, destacando as suas ações sobre questões ambientais e o surgimento da nova pastoral.

"Assumimos o chamado do papa na sua encíclica e resolvermos atender seu apelo universal e planetário frente à crise ecológica em que vivemos na nossa casa comum, no planeta Terra. Encaramos a nossa missão de discutir, refletir e agir sobre a temática socioambiental em busca de soluções através da união e participação de todos: católicos e de outras
religiões, crentes ou não", conta o coordenador da PA, Rodrigo Correia.  A PA objetiva atuar sobretudo no fomento desta temática junto aos fies nas comunidades da igreja na AOR, sempre associando ao princípio do Evangelho de Jesus Cristo encarnado na vida humana e não humana (fauna, flora, recursos naturais, biomas....), onde exalta a missão cristã para que cada um seja sinal de libertação do outro em comunhão: “eu vim para que todos tenham vida e tenham em abundância” (Jo 10,10).

A formação da Pastoral Ambiental pelos fieis católicos foi acolhida pelo padre Hélio Nascimento, presidente da Comissão da Pastoral para a Caridade, Justiça e Paz da AOR, onde inserem-se todas as pastorais sociais da Igreja Católica no Grande Recife, a exemplo da Pastoral da Saúde, da Criança, do Povo de Rua, da Carcerária, dentre várias outras.     "Padre Hélio nós recebeu de braços abertos e vem dando todo o apoio para o desenvolvimento da PA", conta Correia. Desde setembro do ano passado, a pastoral se reúne todo último sábado de cada mês no Centro Social Padre Dehon, na Avenida Caxangá, no bairro da Iputinga, Recife. O encontro é realizado a partir das 16h. É aberto para os interessados.

Nesta quinta, Correia aproveitará para apresentar ao público a missão, valores, linhas de ação e as atividades da PA. O plano de ações consiste em um tripé alinhado para Educação ambiental e sensibilização política socioambiental (educação e formação); Comunicação ambiental e redes plurinstitucionais; (denúncias e ações solidárias); Governança ambiental e práxis comunitárias. (articulações ambientais entre os atores sociais).

Com a missão de estimular a solidariedade a todas as formas de vida, a nova pastoral da AOR surge valorizando o senso de justiça ambiental, a opção preferencial pelos pobres e o ecumenismo no diálogo e na ação. E ainda o senso de corresponsabilidade com a preservação e proteção dos diferentes biomas, da biodiversidade; o incentivo ao cuidado à casa comum e a todos os seres; o respeito a diversidade socioambiental e cultural; o compromisso com um projeto societário voltado aos valores de mobilização e a participação social à luz da emancipação humana.